Casca parado, novo desafio

Para todos os leitores e amigos de sempre do Casca-Grossa.

O blog realmente vai ter de dar um tempo, mas será por uma boa causa. Fui convidado para assumir o cargo de editor do site/publicações do UFC aqui no Brasil e começo a exercer a função agora no começo de abril.

Sou jornalista há 15 anos, pratico artes marciais desde os 4 e escrevo sobre o mundo das lutas há quase uma década. Encaro a oportunidade como o melhor reconhecimento que poderia ter, sem dúvida alguma.

O desafio inicial com o site vai ser incorporar conteúdo de qualidade, bem como usar a força da marca para puxar cada vez leitores e usuários. Tentarei manter análises técnicas e tudo mais que vocês sempre gostaram e prestigiaram aqui no Casca. Vai depender do quesito ‘autonomia’.

Por aqui, muito obrigado a todos os amigos que acompanham o blog desde a época áurea no Yahoo!, e não me abandonaram neste quase um ano em que mantive o espaço ativo de forma independente, apenas pelo prazer de escrever sobre o mundo das lutas. E quem quiser seguir acompanhando meu trabalho daqui para frente já sabe onde procurar.

Grande abraço para todos,

Ossu!

Fernando

[Leitura de luta] Erros (e acertos) de Barão x Faber

O main event do UFC 169 durou poucos minutos, suficientes para atestar Renan Barão como o peso galo mais mortífero da face da Terra, além de reforçar a tese de que Urijah Faber é o cara que mais ‘bate na trave’ da organização.

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Entre méritos e falhas técnicas, destaquei os tópicos que mais chamaram atenção.

Excessivamente frontal

O Team Alpha Male, do qual Faber é integrante, passa por extensa reformulação na área do striking. O experiente  treinador Duane Ludwig têm apimentado o padrão de golpes em pé dos atletas, boa parte com origem no wrestling, e tem conseguido resultados visíveis. Mas ainda não conseguiu mudar o primeiro fundamento de Faber: a postura.

O California Kid ainda mantém as mãos muito baixas e adota uma postura de luta excessivamente frontal, que na prática é grande convite para engolir golpes retos, no rosto ou no tronco.

Faber montou a base ofensiva para esta luta sempre projetando dois ou três passos em linha reta e com a cabeça baixa, o que facilitou os recuos e escapadas do brasileiro. Foi questão de tempo para Barão acertar rapidamente a passada e conectar o primeiro direto em cheio no queixo, que configurou o knockdown inicial do desafio.

Previsibilidade

O que também chamou atenção foi a ausência de um trabalho elaborado com a mão esquerda, usada como medidor de distância em formato de jabs e fintas. Faber começou a maioria das sequências  de ataque com a mão direita (a do direto).

Todo bom striker que se preza trabalha a movimentação lateral para sair do raio de ação dos golpes disparados pelo lado mais forte do adversário (no caso, o direito). Um simples giro no momento certo já alivia e tira o ângulo dos golpes de carga mais bruta.

Em pouco tempo, Faber lançou tanto a mão direita como base de ataque em linha reta (sem a preparação de jabs ou fintas com a esquerda), que Barão previu e se safou de praticamente todos os golpes.

Clássico

O principal trunfo técnico de Barão veio justamente no golpe que definiu o combate. Após acertar o primeiro direto e tontear Faber, o potiguar aproveitou para caçar o oponente pelo octógono por alguns momentos e liquidar a fatura com um overhand, clássico e perfeito, colocado como manda o riscado. Nada a ver com o tal ‘mata-cobra’ – ou a popular ‘mãozada’ – jogada de qualquer jeito.

O lance cabal, em três tempos:

1 – Barão aplica um jab para marcar a distância.

2 – Em seguida, joga o ombro esquerdo como se fosse aplicar outro jab, mas não estica totalmente o braço, e faz uma finta.

3 – Acerta a passada de esquerda em diagonal e atinge com a mão direita debaixo para cima.

[Palpitão] UFC 169 – Barão x Faber

O UFC 169 aterriza em Nova Jérsei (EUA) e coloca o Brasil na alça de mira da organização. Os dois cinturões que o país atualmente detém estarão em jogo. Campeão dos penas, José Aldo encara Ricardo Lamas e tenta manter o reinado impecável até aqui na categoria.

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Recém-condecorado detentor oficial do título dos galos, Renan Barão faz revanche (forçada) contra Urijah Faber. Confira abaixo análise e palpite dos combates.

Renan Barão x Urijah Faber

Não minto. Estava pilhadão para (finalmente) ver a colisão de dois espécimes técnicos tão bons quanto Renan Barão e Dominick Cruz. Não será dessa vez.

Estilisticamente, o Urijah Faber de hoje representa problema maior do que aquele que enfrentou o próprio Barão, na edição 149. Com jogo mais bem ajustado, um padrão em pé melhor desenhado para aproveitar a velocidade característica e facilitar transições para o grappling, o norte-americano teve tempo reduzido de preparo, mas sempre pode surpreender com a extensa vivência dentro das arenas de luta.

O que tem impressionado em Barão é o amadurecimento gradativo de seu estilo. A versatilidade do campeão tem se mostrado cada vez mais confiável, com um desfile de combinações de golpes que se mostram dos mais  fluidos e ‘envenenados’ do MMA atual.

As duas últimas atuações do potiguar foram provas cabais disso: contra Michael McDonald, esperou o momento oportuno para aproveitar brecha no solo e finalizar. Depois, mostrou sangue frio para escanear Eddie Wineland durante todo primeiro round. Em seguida, nocauteou com potente chute giratório.

PALPITE: O brasileiro é um peso galo fisicamente grande, que controla distâncias e cria diversos ângulos de ataque com maestria, o que tem tudo para configurar outra indigestão de 25 minutos para o ‘renovado’ Faber. Barão vence na decisão.

José Aldo x Ricardo Lamas

José Aldo Júnior é um dos melhores strikers do MMA na atualidade.  A capacidade de improvisar e a habilidade de mesclar combinações eficazes de socos com chutes ou joelhadas do campeão dos penas do UFC impressionam pelo grau de eficiência e precisão.

Os low kicks configuram uma das principais bases ofensivas, com aquele timing ‘Ernesto Hoostiano’ de aproveitar um ‘trilésimo’ de segundo para atingir e desequilibrar oponentes.

O  grande lance dos chutadores mais sólidos obviamente reside nos fundamentos da distância. Ou você se mantém longe o bastante para não ser pego com alguma patada, ou perto o bastante para limitar o uso das pernas por parte do adversário.

O MMA é passível o tempo todo de ir para o grappling. Portanto, exige grande perícia nas entradas de média distância, geralmente a mais letal para se aplicar chutes. Oriundo do jiu-jitsu, Aldo começou na arte do striking de forma adaptada ao MMA.  A melhor saída para tentar vencer o padrão em pé do brasileiro é tentar cravá-lo com as costas no chão.

Mas abalar seu centro de gravidade tem sido o grande problema. Com boa movimentação evasiva, Aldo bloqueia movimentos de queda e desloca o quadril com eficiência para se livrar de enrascadas. Além disso, pode tirar proveito de investidas contrárias com rápidas joelhadas.

De tempos em tempos, bons lutadores nos dão lições práticas de como é importante usar o recurso ofensivo mais básico do boxe: o jab.

Na superluta contra Frank Edgar, Aldo pontuou e castigou o adversário com golpes de esquerda bem angulados, ora isolados, ora seguidos de cruzados ou diretos de direita em plena movimentação lateral ou recuos.

Aldo terá pela frente no UFC 169 um lutador solto e do tipo que se inflama com trocas de golpes mais francas.

Ricardo Lamas pode não ser lá um dos caras mais técnicos da categoria, mas tem grande poder de ataques, com jabs funcionais e bom trabalho com chutes da perna da frente (da posição de luta).

Mesmo apresentando algumas brechas na aplicação de golpes mais pesados – abre demais a guarda ao disparar cruzados, por exemplo -, tem coragem para aceitar trocas mais avassaladoras de golpes contra um dos melhores strikers do esporte.

O grande diferencial para o norte-americano reside no fato de que também pode atuar de forma mais segura, usando os recursos em pé para engatilhar alguma queda de seu arsenal e trabalhar o ground and pound.

PALPITE: Em termos gerais,  o estilo de Aldo, sedimentado por atuações bombásticas neste quesito, é o grande desafio a ser vencido por qualquer adversário. Ele sempre estará em total vantagem neste aspecto. Até que alguém prove o contrário. O brasileiro  vence por nocaute.

MAIS!

Alistair Overeem vence Frank Mir
Ali Bagautinov vence John Lineker
Jamie Varner vence Abel Trujillo
John Makdessi vence Alan Nuguette
Chris Cariaso x Danny Martinez
Tom Watson vence Nick Catone
Al Iaquinta venceKevin Lee
Clint Hester vence Andy Enz
Rashid Magomedov vence Tony Martin
Neil Magny vence Gasan Umalatov

[Palpitão] UFC On FOX 10 – Ben Henderson x Josh Thomson

UFC On FOX 10 acontece sábado, em Chicago (EUA) e tem bons ingredientes para torná-lo empolgante. Ex-campeão dos leves, Ben Henderson tenta retomar o caminho do topo no duelo contra o duro Josh Thomson.

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Entre os brasileiros, Gabriel Gonzaga tem parada dura contra o croata Stipe Miocic, Adriano Martins pega Donald Cerrone e Hugo Wolverine enfrenta Junior Hernandez. Abaixo, palpites e análises dos destaques da noite.

Ben Henderson x Josh Thomson

Sempre é interessante ter dois caras que dominam tanto a arte de ditar o ritmo do combate como Josh Thomson e Ben Henderson. O primeiro foi bastante prejudicado por lesões durante a carreira e terá pela frente um dos pesos leves mais fortes dos últimos tempos no UFC.

Ex-campeão da categoria, Henderson sempre merece o devido respeito quando coloca os pés no octógono. Seu estilo compacto é uma mescla equilibrada entre agressividade explosiva e técnica apurada.

Se levarmos em conta que Thomson apresentou brechas e engoliu quedas em excesso nas últimas atuações, o melhor caminho para Bendo seria meter pressão nos clinches (nesse caso, será preciso redobrar os cuidados com os cotovelos e joelhos sempre afiados e bem treinados do oponente), colocar para baixo e trabalhar golpes na meia-guarda, algo também intenso em seu estilo. Mas a versatilidade do cabeludo pode proporcionar mais emoções no decorrer do combate.

Thomson é eficiente em contragolpear e também em algumas fintas – sobretudo na aplicação de chutes -, que têm funcionado como marcas registradas. Com bom jogo na longa distância, deve querer evitar trocas francas mais extensas, sobretudo nos primeiros assaltos. O problema é que Bendo é letal com os low kicks e deve usá-los para debilitar gradativamente a movimentação constante do adversário.

PALPITE: O estudo deve ser a tônica no começo, mas dá para vislumbrar um grande combate. Henderson levará a melhor nos pontos.

Gabriel Napão Gonzaga x Stipe Miocic

O brasileiro pode não ser propriamente um striker de alta estirpe ou dos mais clássicos, mas sempre será lembrado pelo chutaço que nocauteou a lenda Mirko Crocop, no UFC 90.
Oriundo do grappling, Gonzaga acrescenta estilo pesado em pé às habilidades de solo, e assim mostra um padrão híbrido capaz de confundir até os mais experientes adversários. É a velha história do ‘se você pensa que vou agarrar, eu golpeio’. E vice-versa.

No quesito particularidades, Napão conta com os famosos – e cada vez mais usados no MMA –  overhands, além de diretaços-jamanta de direita e também alguns bons lampejos na sempre complexa arte de ‘contragolpear recuando’.

Miocic é um pesado ‘seco’ e bastante dinâmico. Ele vem de vitória acachapante sobre Roy Nelson, em junho do ano passado, onde puxou insistentemente o combate da média para a curta distância, exibiu receita bem tramada de socos e joelhadas para acumular danos gradativos no gordinho, famoso pela capacidade de absorver castigos.

O que chama atenção no croata justamente é esta capacidade explosiva de encadear ataques, o que funciona quase sempre como diferencial em uma categoria em que a maioria dos atletas é mais propensa a cadenciar ações e reações.

Muitas vezes, Miocic simplesmente se lança aos ataques em linha reta, sem se importar com passadas ou a manutenção de uma base de luta mais firme e equilibrada. Com isso cria um fator-surpresa que pode ter dois gumes (dependendo do grau de perspicácia do adversário em saber tirar proveito disso).

PALPITE: De forma geral, a dinâmica de luta da dupla conta com muitas diferenças. Miocic pode confiar em receita sólida de jabs e movimentação lateral para fazer valer uma estratégia mais longa e tentar a melhor na decisão.

Acho que Gonzaga leva vantagem pelo grau mais elevado de transições. Ele provavelmente deve usar o striking para abrir brechas, encadear o grappling e arriscar uma de suas perigosas submissões, que lhe darão a vitória.

Donald Cerrone x Adriano Martins

O Cowboy tem alternado altos e baixos nos últimos tempos e agora tem pela frente o lutador manauara, que estreiou bem pela organização e deseja encurtar o caminho até o Top 10 com sonora vitória frente ao mais que experiente norte-americano.

Cerrone é striker de alto calibre, daqueles que se destacam por grande quantidade de combinações rápidas de golpes de punhos, pés, joelhos e cotovelos. Conseguiu diversos nocautes na carreira, mas tem apenas duas finalizações.

Altamente credenciado no cenário do MMA brasileiro, Martins tem jogo bastante arredondado no jiu-jitsu e também usa com frequência as sequências de socos e chutes nas pernas. Para tentar vencer o desafio da vez, tem de se concentrar em alcançar ângulos específicos para deter o volume de chutes de Cerrone, um dos melhores atributos do lutador do Tio Sam.

PALPITE: Cerrone vence por nocaute.

MAIS!

Darren Elkins vence Jeremy Stephens
Sergio Pettis vence Alex Caceres
Eddie Wineland vence Yves Jabouin
Yaotzin Meza vence Chico Camus
Hugo Wolverine vence Junior Hernandez
Mike Rio vence  Daron Cruickshank
George Sullivan vence Mike Rhodes
Walt Harris vence Nikita Krylov

[Leitura de luta] Body shots pra valer

Pouco aproveitados no MMA, os body shots (ou golpes no corpo) saíram da tumba no UFC Fight Night 35 e definiram a vitória de Luke Rockhold sobre Costas Phillipou. Com duas patadas na costela, o norte-americano colocou o oponente fora de combate e cravou um nocaute menos frequente de se ver nas artes marciais mistas.

Trata-se de algo simples na cartilha do striking e que tem sentido estratégico mais profundo se usado com inteligência. 

No kickboxing ou nos estilos de caratê de contato, os body shots ganham importância tática significativa e são considerados recursos bastante polidos de serem dominados, seja em socos retos curtos ou ganchos no plexo, até caneladas, chutes frontais e giratórios.

Como o desenho do MMA requer dinâmica própria e peculiar – principalmente na curta distância -, e como as luvas são pequenas e não facilitam os bloqueios no estilo ‘peek-a-boo’ (com os dois braços travados na frente do rosto cobrindo praticamente o corpo todo), é muito mais instintivo e tentador usar overhands ou golpes mais abertos direcionados à cabeça como base de ataque.

Muitos treinadores ressaltam que os golpes desferidos no tronco, além de serem uma das formas mais eficientes para abalar o nível de resistência do adversário e funcionarem muito bem como fintas, funcionam como um tipo de ‘barreira psicológica’ para que o adversário redobre a cautela nos momentos de investidas, ficando condicionado a se encolher para se defender e, com isso, abrir brechas na guarda.

Puxando pela memória, dá para lembrar de chutes de Rich Franklin, Jon Jones e Dennis Siver, além dos socos de Júnior Cigano, Fábio Maldonado e Nick Diaz, por exemplo, como bons representantes de técnicas do tipo no MMA. Rockhold também entra agora para o seleto grupo.

NO FÍGADO

Para serem totalmente eficientes, os chutes circulares têm de ser aplicados com parte da canela e com a projeção do quadril para frente.

Como toda ação em um combate de MMA é passível de cair para o campo do grappling, é necessário ter cautela redobrada no timing e nas puxadas de perna após o chute acertar o alvo.

O UFC Fight Night, em dois tempos:

1 – No caso Rockhold x Phillipou, o norte-americano usou bem a vantagem de envergadura para manter a disputa na longa distância e aproveitou falhas na movimentação do adversário para potencializar ainda mais as ‘pauladas’ na costela.

2 – Confuso em atuar contra um canhoto, Phillipou ‘caminhou’ diversas vezes para o lado errado, indo de encontro ao lado esquerdo de Rockhold, de onde vêm os golpes mais fortes. Assim, foi pego duas vezes seguidas com facilidade e teve de engolir a derrota em poucos minutos. Fica a lição.

[UFC FN 35] Rockhold nocauteia; Silvério vence a segunda

O UFC Fight Night 35, realizado em Atlanta, Estados Unidos, agitou o meio de semana da organização com pelo menos um par de  boas lutas. Ex-campeão do Strikeforce, Luke Rockhold voltou a vencer após a estreia nada feliz contra Vitor Belfort. Desta vez, o norte-americano nocauteou o cipriota Costa Phillipou e começa a traçar caminho  na intensa corrida pelo cinturão dos médios.

Único brasileiro no card, Elias Silvério venceu Isaac Vallie-Flagg nos pontos e encadeou o segundo triunfo consecutivo no Ultimate (e o décimo da carreira, ainda invicta). Acompanhe abaixo um jogo rápidos dos destaques.

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Bobeou…

É aquela coisa. No MMA moderno, todos os detalhes fazem a diferença. O cipriota Costa Phillipou (destro), entrou para o combate contra o norte-americano Luke Rockhold (canhoto) visivelmente despreparado. Sem conseguir encurtar a distância para amenizar a diferença significativa de envergadura, errou o padrão de movimentação (saindo constantemente para o lado direito), o que facilitou as ações pela esquerda, o lado forte, de Rockhold.

Poucos minutos então foram suficientes para alcançar o nocaute. O norte-americano misturou alguns chutes médios e altos para minar o adversário. Além de um bom direto de esquerda que balançou o cipriota, aplicou forte patada circular na têmpora que confirmou o cartão de visitas bem indigesto.

Após encurralar Phillipou contra as grades, mandou duas caneladas certeiras na costela que mandou o oponente para a lona.

Resultado positivo atestado e pedido de revanche contra Belfort, que o venceu ano passado com um famigerado chute giratório. Será?

Maduro

Cria da  equipe Alpha Male, Dillashaw mais uma vez mostrou que sua versatilidade amadurece a cada atuação no octógono. Com movimentação controlada, trocas constantes de base, boa utilização dos jabs e quedas pontuais, dominou o adversário.

Easton fez frente o quanto pôde, mas acabou tragado pelo volume de golpes do oponente e teve de se contentar com a derrota nos pontos. Dillashaw se firma mais uma vez como um dos prospectos mais confiáveis entre os galos.

Reforçando

Meio-médio por natureza, o brasileiro estreou no peso leve e começou melhor ao colocar bons chutes frontais no plexo, que detinham as investidas do adversário. Após escorregão, Silvério apostou em um sibgle leg e levou ao solo, de onde trabalhou bem o ground and pound e ainda conseguiu um knockdown.

Na segunda parcial, Vallie-Flagg veio mais incisivo, mas seguiu um tanto atabalhoado. Mesmo sem ser propriamente eficiente nos contragolpes, o paulista segurou a pressão numa boa e mais uma vez levou para o chão e seguiu a golpear pontualmente na meia-guarda. Quando o combate voltou em pé, o brasileiro seguiu sem uma base firme para disparar golpes mais fortes, mas seguiu em vantagem.

O round final começou franco e novamente acabou no tablado do octógono. Silvério foi dominante, pegou as costas duas vezes e bateu pesado. Vallie-Flagg limitava-se a sobreviver, e acabou derrotado nos pontos.

[UFC Fight Night 34] Belga e coreano fazem combate eletrizante; brasileiros perdem

Primeiro evento do ano na organização, o UFC Fight Night – Cingapura, realizado sábado (4) trouxe um bocado de lutadores relativamente desconhecidos do grande público, mas foi recheado de bons momentos.

O card montado basicamente com prospectos asiáticos trouxe dinâmica nova, com aquele climão que mescla pragmatismos e porralouquices na mesma moeda, estilo típico das escolas orientais das artes marciais mistas.

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Exemplo disso aconteceu no combate principal da noite, entre o belga Tarec Saffiedine e o sul-coreano Hyun Guy Lim. Os cinco assaltos do combate foram repletos de técnica e coração, com vitória do europeu, ex-campeão do Strikeforce, por decisão. Abaixo, um relato mais apurado do que aconteceu.

Lá e cá

Saffiedine é um striker de alto gabarito, com técnicas ‘redondas’ e um demolidor de pernas de primeira.  Sua marca registrada de esperar – e bloquear – ataques na guarda alta para em seguida contragolpear com low kicks foi colocada em ação logo no primeiro assalto, quando teve menos volume de golpes, mas já dava mostras de que apostaria pesado na receita dos golpes baixos.

Lim lembra um Alexander Gustafsson menos eficiente. Esguio (1,90m), é um meio-médio gigantesco e com estilo ainda em formação. Com movimentação confusa, sem usar boa fórmula de jabs para fazer valer a envergadura e manter distância confortável, ainda mostra diversas brechas nas aplicações dos golpes, abrindo demais a guarda em certos momentos, sobretudo nos cruzados em sequência. Mas mostrou que desconta pesado no ‘coração’.

O grande entrave de Saffiedine (1,75m) foi acertar a movimentação para angular e lidar melhor com o alcance do adversário. O belga passou bons minutos perdido e engolindo alguns petardos de Lim no primeiro assalto. Na etapa seguinte, a caneladas de direita entraram em ação com mais vontade e tudo começou a mudar. O europeu também trocava de base constantemente e apostava em fortes contragolpes com overhands para cair dentro do oponente de forma mais segura.

Os dois últimos assaltos foram cheios de requintes passionais. Com a perna bastante avariada, Lim começou a desabar a cada low kick, mas não se entregava. Saffiedine ainda acertou bela joelhada voadora no queixo do asiático e por pouco não liquidou a fatura com um mata-leão.

Na parcial final, o combate já parecia definido para o belga, quando Lim começou a soltar uns kiais (gritos típicos das artes marciais tradicionais), e se mandou com tudo ao ataque no minuto final. O ímpeto fez com que acertasse Saffiedine com alguns socos no queixo, que acusou os golpes, dobrou as pernas e por pouco não desabou pouco antes do fim da grande luta, que decretou a vitória do europeu na decisão por pontos.

Brasileiros

Leandro Brodinho foi dominado e finalizado com um triângulo no primeiro assalto, por Russell Doane. Luiz Besouro fez cara de mal, mas abusou da sorte ao colocar diversas cotoveladas na nuca do japonês Kiichi Kunimoto e acabou desclassificado.